'SARAMAGO E A BAILARINA CEGA'

 






'SARAMAGO E A BAILARINA CEGA'

Uma vez me imaginei
Bailarina cega
Dançando no escuro.
Borboleta desorientada
Farfalhando trôpega
Por ofício elegante
E concentrada.
Depois
Pouco a pouco cansada
Arfando exausta
Tropeçando em objetos
Ou na nudez do ar.
Cada movimento um novo tormento
De nada encontrar
Sensações suarentas
De não ver - não estar.
Do nenhum lugar
Fechei os olhos
Abri de novo sem enxergar
E me imaginei bailarina
No texto e no palco de Saramago.

Não era ensaio, mas uma dança fatal.

(Anisia Cotta)

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