HÁ 25 ANOS A REVISTA PLAYBOY LANÇOU UMA POLÊMICA CAPA NATALINA.

 

Nesse ano de 2025  em que a marca da revista Playboy, comemoraria 50 anos se ainda estivesse operando em solo brasileiro.

Aproveitar para recordar e  comentar aqui sobre o fato que ocorreu quando  ela lançou a  pitoresca capa  natalina com o Papai Noel que foi bastante polêmico, isso fez a revista sofrer uma ameaça de censura, quando já a fase da repressão da Ditadura já tinha chegado ao fim.


  
A ex-dançarina do É O Tchan na polemica 
capa natalina da Playboy de Dezembro de 2000. 



Para compreender melhor vamos entender o contexto.  

Esta revista  que sempre se caracterizou por estampar em sua capa mulheres peladas  desde  as mais lindas ou mesmo não tão lindas beldades brasileiras, das atrizes da Globo, passando pelas  tops models  internacionais, cantoras, ou até mesmo celebridades instantâneas como as de  reality show dentre outras.

Resolveu aproveitar  o clima natalino para  presentear os seus leitores e assinantes  na edição do mês de Dezembro de 2000,  tendo como  grande estrela na capa, não uma estrela qualquer, mas sim uma verdadeira deusa como  Carla Perez, ex-dançarina da banda de axé e  pagode baiana  É o Tchan*, uma das grandes beldades dos anos 1990. 


 
 A primeira vez de Carla Perez na 
capa da Playboy foi na edição  de Outubro de 1996.
                             

Essa foi  a terceira e última  vez que ela estrelava a capa da revista para fazer o ensaio sensual completamente pelada, a primeira vez  fora em 1996 na época em que ela já se destacava na banda que era uma grande explosão nacional e a segunda vez  fora em 1998, ano que marcava uma  importante transição na sua vida de estrela,  ela deixava o É O Tchan  para seguir carreira como apresentadora de TV e foi justamente nesta nova fase da vida dela que veio o convite para posar mais uma vez para a maior revista masculina. Além de tê-la como principal estrela para o ensaio na capa da revista daquela edição, a capa temática ao natal também a traria acompanhada com a celebre figura querida por todo mundo que é o Papai Noel todo atrevido  de costas para ela segurando os seus braços enquanto tapava os seios   que foi vivido por Antônio Santinato. 

 
A segunda vez de Carla Perez 
na capa da Playboy foi 
na edição de Abril de 1998.



A participação desse senhor como Papai Noel na capa da Playboy naquele Natal de 2000, que teria passado batido, porque era só um figurante que apenas enfeitava a capa, não tinha tanto   destaque como era Carla Perez.

 Ele acabou   sem querer marcando por ter chamado atenção pelo  grande alvoroço  do  episódio muito polêmico na história da revista aqui no Brasil.




  Esta situação embaraçosa   aconteceu quando o então Juiz da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro Siro Darlan de Oliveira, pediu ao Ministério Público para censurar a revista que era para ser vendida numa embalagem escura e lacrada.




 Esta medida segundo o próprio era para impedir que as crianças e adolescentes se interessassem em comprar. Já que na visão dele,  a imagem do Papai Noel, o bom velhinho simboliza a figura lúdica e dócil das crianças.  E como não se não bastasse só este grande alvoroço causado pelo Juiz Darlan  fazendo tempestade em copo d´água por causa da capa natalina da revista.




 Também na época ocorreu o episódio de alunos de um curso de formação do Rio de Janeiro  em Papai Noel, indignados com a revista deturpar a figura do bom velhinho, como forma de protesto resolveram colocar as tarjas pretas nos gorros, para simbolizar a revolta.




Este peculiar e indigesto  episódio  também despertou na época o interesse dos muitos programas de televisão, especialmente os da linha de fofocas sobre o mundo vip. Inclusive eu que já era adolescente, me lembro vagamente, eu devia ter o quê  quinze anos na época de ter visto este senhor caracterizado de Papai Noel num programa de celebridades que não lembro direito qual, nem em que canal foi ao ar onde ele estava dando um esclarecimento ao mal entendido que a sua participação na capa da revista gerou na época. Uma tentativa de censura, ainda mais  quando a gente leva em conta que na ocasião já tinha se passado uma década que o Brasil tinha saído da fase repressora da Ditadura Militar e os órgãos de censura deixaram de operar depois da Constituição de 1988.




Ironicamente a marca que surgiu nos Estados Unidos em 1953 por Hugh Hefner(1926-2017)  começou a operar em solo brasileiro justamente na fase opressora da Ditadura Militar em Agosto de 1975, onde começou com o nome de A Revista do Homem, pelo que o então diretor-executivo da Editora Abril Roberto Civita(1936-2013), filho do fundador da Editora Abril Victor Civita(1907-1990) comentou numa entrevista a edição comemorativa do  35º Aniversário da marca no Brasil em Agosto de 2010 com uma matéria sobre os bastidores da censura a revista com depoimentos de antigos funcionários e que esteve envolvido na negociação da marca contou isso:

A revista podia, o nome não. Assim, fizemos uma revista igualzinha aquela que havíamos deixado com o ministro, só que com outro nome: A REVISTA DO HOMEM. Mas a censura não nos deu trégua, colocando nossa publicação na vala comum do que se fazia de mais vulgar.”

O nome Playboy só seria liberado a partir da edição de Julho de 1978 com a capa estrelada pela americana Debra Jo Fonden.



Porém,  nem por isso foi capaz de proibir a circulação da revista no anos seguintes até chegar trágico desfecho no final de 2017.

Diversos fatores levaram a revista a deixar de operar em solo brasileiro, o principal foi em consequência de que com a mídia digital cada vez atraindo mais público, o tradicional foi ficando obsoleto. 

P.S. O Senhor Antônio Santinato que participou desse ensaio como Papai Noel, faleceu em 22 de Dezembro de 2018, aos 91 anos.  Ironicamente faltando três dias antes da celebração do Natal.

*Inicialmente chamado de Gera Samba,  conjunto que era formado inicialmente por dez músicos. A banda original teve uma primeira cisão em 1994 para a formação do Terra Samba. Beto Jamaica e Compadre Washington lançaram, em 1995, o álbum É o Tchan, ainda creditado ao Gera Samba. O trabalho obteve grande sucesso, com mais de 900 mil cópias vendidas. O grupo também alçou a dançarina Carla Perez, então com 18 anos, como o mais novo símbolo sexual do Brasil.Entretanto, os remanescentes do Gera Samba seguiram com o grupo, sendo liderados pelo empresário Esmael de Oliveira. Ele afirma que Jamaica, Washington e Luís Carlos Fernandes Adan registraram, em 1994, na Junta Comercial da Bahia, a empresa "Grupo Musical Gera", que só mudou para “Grupo Musical Gera Samba” em 27 de janeiro de 1997. Já Esmael diz que é detentor da marca desde 1985 e alegou ter sido prejudicado, já que ficou rotulado como "falso Gera Samba", com apresentações canceladas, cachês devolvidos e sem ter conseguido grandes contratos com gravadoras. A sentença sobre o caso só saiu em 2005, quando a 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro anunciou uma reparação por danos morais a Esmael de Oliveira. O seu estilo musical era mais no pagode baiano, mas por questão industrial se encaixava como axé. 

 

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