HÁ 25 ANOS A REVISTA PLAYBOY LANÇOU UMA POLÊMICA CAPA NATALINA.
Nesse
ano de 2025 em que a marca da revista
Playboy, comemoraria 50 anos se ainda estivesse operando em solo brasileiro.
Aproveitar
para recordar e comentar aqui sobre o
fato que ocorreu quando ela lançou a pitoresca capa natalina com o Papai Noel que foi bastante
polêmico, isso fez a revista sofrer uma ameaça de censura, quando já a fase da
repressão da Ditadura já tinha chegado ao fim.
Para
compreender melhor vamos entender o contexto.
Esta
revista que sempre se caracterizou por
estampar em sua capa mulheres peladas
desde as mais lindas ou mesmo não
tão lindas beldades brasileiras, das atrizes da Globo, passando pelas tops models
internacionais, cantoras, ou até mesmo celebridades instantâneas como as
de reality show dentre outras.
Resolveu
aproveitar o clima natalino para presentear os seus leitores e assinantes na edição do mês de Dezembro de 2000, tendo como
grande estrela na capa, não uma estrela qualquer, mas sim uma verdadeira
deusa como Carla Perez, ex-dançarina da
banda de axé e pagode baiana É o Tchan*, uma das grandes beldades
dos anos 1990.
Essa
foi a terceira e última vez que ela estrelava a capa da revista para
fazer o ensaio sensual completamente pelada, a primeira vez fora em 1996 na época em que ela já se
destacava na banda que era uma grande explosão nacional e a segunda vez fora em 1998, ano que marcava uma importante transição na sua vida de
estrela, ela deixava o É O Tchan para seguir carreira como apresentadora de TV
e foi justamente nesta nova fase da vida dela que veio o convite para posar
mais uma vez para a maior revista masculina. Além de tê-la como principal
estrela para o ensaio na capa da revista daquela edição, a capa temática ao
natal também a traria acompanhada com a celebre figura querida por todo mundo
que é o Papai Noel todo atrevido de
costas para ela segurando os seus braços enquanto tapava os seios que foi vivido por Antônio Santinato.
A
participação desse senhor como Papai Noel na capa da Playboy naquele Natal de
2000, que teria passado batido, porque era só um figurante que apenas enfeitava
a capa, não tinha tanto destaque como
era Carla Perez.
Ele acabou sem querer marcando por ter chamado atenção
pelo grande alvoroço do
episódio muito polêmico na história da revista aqui no Brasil.
Esta situação embaraçosa aconteceu quando o então Juiz da Vara da
Infância e da Juventude do Rio de Janeiro Siro Darlan de Oliveira, pediu ao
Ministério Público para censurar a revista que era para ser vendida numa
embalagem escura e lacrada.
Esta medida segundo o próprio era para impedir
que as crianças e adolescentes se interessassem em comprar. Já que na visão
dele, a imagem do Papai Noel, o bom
velhinho simboliza a figura lúdica e dócil das crianças. E como não se não bastasse só este grande
alvoroço causado pelo Juiz Darlan
fazendo tempestade em copo d´água por causa da capa natalina da revista.
Também na época ocorreu o episódio de alunos
de um curso de formação do Rio de Janeiro
em Papai Noel, indignados com a revista deturpar a figura do bom
velhinho, como forma de protesto resolveram colocar as tarjas pretas nos
gorros, para simbolizar a revolta.
Este
peculiar e indigesto episódio também despertou na época o interesse dos
muitos programas de televisão, especialmente os da linha de fofocas sobre o
mundo vip. Inclusive eu que já era adolescente, me lembro vagamente, eu devia
ter o quê quinze anos na época de ter
visto este senhor caracterizado de Papai Noel num programa de celebridades que
não lembro direito qual, nem em que canal foi ao ar onde ele estava dando um
esclarecimento ao mal entendido que a sua participação na capa da revista gerou
na época. Uma tentativa de censura, ainda mais quando a gente leva em conta que na ocasião já
tinha se passado uma década que o Brasil tinha saído da fase repressora da
Ditadura Militar e os órgãos de censura deixaram de operar depois da
Constituição de 1988.
Ironicamente
a marca que surgiu nos Estados Unidos em 1953 por Hugh Hefner(1926-2017) começou a operar em solo brasileiro
justamente na fase opressora da Ditadura Militar em Agosto de 1975, onde
começou com o nome de A Revista do Homem, pelo que o então
diretor-executivo da Editora Abril Roberto Civita(1936-2013), filho do fundador
da Editora Abril Victor Civita(1907-1990) comentou numa entrevista a edição comemorativa
do 35º Aniversário da marca no Brasil em
Agosto de 2010 com uma matéria sobre os bastidores da censura a revista com
depoimentos de antigos funcionários e que esteve envolvido na negociação da
marca contou isso:
“A
revista podia, o nome não. Assim, fizemos uma revista igualzinha aquela que
havíamos deixado com o ministro, só que com outro nome: A REVISTA DO HOMEM. Mas
a censura não nos deu trégua, colocando nossa publicação na vala comum do que
se fazia de mais vulgar.”
O
nome Playboy só seria liberado a partir da edição de Julho de 1978 com a capa
estrelada pela americana Debra Jo Fonden.
Porém,
nem por isso foi capaz de proibir a
circulação da revista no anos seguintes até chegar trágico desfecho no final de
2017.
Diversos
fatores levaram a revista a deixar de operar em solo brasileiro, o principal
foi em consequência de que com a mídia digital cada vez atraindo mais público,
o tradicional foi ficando obsoleto.
P.S.
O Senhor Antônio Santinato que participou desse ensaio como Papai Noel, faleceu
em 22 de Dezembro de 2018, aos 91 anos.
Ironicamente faltando três dias antes da celebração do Natal.









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