Cântico negro “Vem por aqui” — dizem-me alguns com olhos doces, Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: “vem por aqui”! Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali… A minha glória é esta: Criar desumanidade! Não acompanhar ninguém. — Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre a minha Mãe Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos… Se ao que busco saber nenhum de vós responde Por que me repetis: “vem por aqui!”? Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí… Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens, E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada. Como, pois, sereis vós Que me dareis machados, ferramentas e coragem Para eu derrubar os meus obstáculos?… Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, E vós amai...